segunda-feira, 22 de outubro de 2012


A Funtac e a sustentabilidade no Acre
* Ecio Rodrigues
Que está na tecnologia a resposta para chegar-se a um processo de ocupação produtiva, na Amazônia, que seja adequado aos ideais de sustentabilidade preconizados pelo mundo, não há a menor dúvida.
No entanto, converter-se a demanda por tecnologia em algo concreto é o que difere os países, as regiões, os estados federativos. E nesse ponto, Brasil, Amazônia e Acre deixam muito a desejar.
Por algo concreto, pode-se entender o investimento público e privado (muito estatal e quase nada empresarial para o caso amazônico) em quatro itens fundamentais, sem os quais não haverá tecnologia para ajudar a sociedade a resolver os percalços que surgem na busca pela sustentabilidade.
O primeiro item se refere à existência de pelo menos uma instituição para amparar as pesquisas, instalar laboratórios, fornecer estrutura física, enfim, dar suporte ao desenvolvimento de inovações tecnológicas. Uma instituição que proporcione o que os sociólogos chamam de “meio de cultura” para a tecnologia.
O segundo item diz respeito ao investimento em formação e salário dos pesquisadores. O meio de cultura será mais ou menos propício à concepção de tecnologia, dependendo, obviamente, do nível de formação dos indivíduos que atuam na área e da sua remuneração.
Mas, para além do salário dos pesquisadores, tecnologia também requer recursos anuais para investimento e custeio que não podem, em hipótese alguma, estar sujeitos a qualquer solução de continuidade. Recursos que devem ser planejados, por períodos previamente definidos, sob todas as garantias de que serão providos quando forem demandados pelos experimentos tecnológicos. A garantia de capital anual e permanente é o terceiro item crucial para a inovação tecnológica.
Finalmente, para a concepção de soluções tecnológicas que conduzam a Amazônia na direção da sustentabilidade é necessário haver consenso sobre o tipo de tecnologia buscada. Não adianta, por exemplo, resolverem-se os problemas tecnológicos concernentes à viabilidade da pecuária bovina, uma atividade intrinsecamente insustentável. A elaboração de preceitos que orientem a pesquisa tecnológica é, portanto, o quarto elemento para a tecnologia da sustentabilidade.
Sob ligeira análise, poderia ser dito que tudo isso ocorre no Acre. A Fundação de Tecnologia do estado, Funtac, está completando 25 anos de criação. A instituição abrigou e ainda abriga muitos profissionais com formação superior e elevado nível técnico. Por outro lado, existe, no estado, um fundo de apoio às pesquisas e uma política estadual de ciência e tecnologia.
Mas não é bem assim. A Funtac não tem o apoio que deveria ter, carece de laboratórios, de estrutura e, o mais grave, o órgão conta com menos de 10% da quantidade de pesquisadores que necessita. Igualmente, o fundo estadual não garante nem 10% dos recursos financeiros anuais exigidos pela demanda por tecnologia. Enquanto que não se sabe por onde anda, ou que fim levou, a política estadual de ciência e tecnologia.
Em meio a um ambiente desfavorável, em que à produção de tecnologia não é conferida qualquer prioridade, a Funtac, como instituição, e as pessoas que todos os dias ajudam a mantê-la merecem mais que parabéns pelos 25 anos, merecem medalhas.
Seria difícil computar-se a grande contribuição prestada pelas instituições envolvidas com o tema da pesquisa tecnológica na Amazônia para a conquista da sustentabilidade na região.
Mas uma coisa é certa: numa lista das três instituições amazônicas com maior currículo para a sustentabilidade, a Funtac constaria lá.

* Ex-presidente e admirador assumido da Funtac. Professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Engenheiro Florestal, Especialista em Manejo Florestal e Mestre em Economia e Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (UnB).

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